Domínios Morfoclimáticos do Brasil


Segundo o geógrafo Aziz Ab’Sáber, um domínio morfoclimático é todo conjunto no qual haja interação entre formas de relevo, tipos de solo, características climáticas,  hidrografia e vegetação.

Os domínios morfoclimáticos são divisões que se baseiam, nos diferentes tipos de relevos que são resultantes das condições climáticas atuais e do passado bem como na cobertura vegetal e nos tipos de solo.

Devido à extensão territorial do Brasil, vamos nos defrontar com domínios muito diferenciados uns dos outros. Esta classificação feita, segundo o geógrafo Aziz Ab’Sáber (1970), dividiu o Brasil em seis domínios:

1 - Domínio Amazônico – região norte do Brasil, com terras baixas e grande processo de sedimentação; clima e floresta equatorial;
2 - Domínio dos Cerrados – região central do Brasil, como diz o nome, vegetação tipo cerrado e inúmeros chapadões;
3 - Domínios dos Mares de Morros – região leste (litoral brasileiro), onde se encontra a floresta Atlântica que possui clima diversificado;
4 - Domínio das Caatingas – região nordestina do Brasil (polígono das secas), de formações cristalinas, área depressiva Inter montanhas e de clima semiárido;
5 - Domínio das Araucárias – região sul brasileira, área do habitat do pinheiro brasileiro (araucária), região de planalto e de clima subtropical;
6 - Domínio das Pradarias – região do sudeste gaúcho, local de coxilhas subtropicais.

 


Domínios Amazônicos

 


Possui a maior biodiversidade do planeta, esse domínio apresenta uma grande variedade de espécies animais e vegetais. 

Localização: Compreendendo cerca de 42% do território nacional, a Floresta Amazônica é considerada a maior floresta tropical do mundo e está presente nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de outros países sul-americanos.

Vegetação: pois como a área é formada por planícies e planaltos, podemos identificar três diferentes extratos na distribuição da vegetação:
- Igapó – área da floresta permanentemente alagada e onde encontramos espécies nativas como a vitória-régia, planta adaptada a essas condições de inundação.
- Mata de Várzea – áreas de inundações periódicas, de acordo com as cheias dos rios. Nesse extrato podemos destacar a presença de seringueiras (maniçoba e maçaranduba).
- Mata de Terra Firme – corresponde a áreas de terras mais altas onde encontramos árvores de grande porte, podendo atingir cerca de  65 metros. Atualmente, o desmatamento é a grande preocupação em relação a esse domínio, que vem sendo destruído por várias atividades econômicas, entre elas: crescimento da atividade agrícola, principalmente pelo cultivo de soja, aumento do número de pastagens,  implantação de projetos de mineração e a realização de atividade madeireira. 

Clima: Clima equatorial (quente e úmido) e subequatorial (com período de estiagem); Domínio de terras baixas (depressões e planícies). Presença do planalto Norte-Amazônico; Hidrografia abundante e diversificada (bacia Amazônica); Floresta Equatorial Amazônica (grande biodiversidade); Solos pouco férteis. 


Domínios Araucária


Recebe esse nome uma vez que a região está repleta de pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), conhecido como Araucária.

Localização: região sul do Brasil. Presente nas áreas centrais dos estados do Paraná Santa Catarina, além da área norte do Rio Grande do Sul.

Vegetação: é composta por árvores aciculifoliadas, com folhas em formato de agulha, predominando o pinheiro-do-paraná. Embora encontrados com abundância no passado, atualmente no Brasil restaram restritas áreas preservadas, presença de rios perenes.

Clima: subtropical, ou seja, com as estações do ano bem definidas, posto que os invernos são frios e os verões quentes, o que indica sua elevada amplitude térmica, verão com temperaturas médias de 25° e inverno com temperaturas que atingem 0°.


Domínios Caatinga


Localização: área central da região Nordeste. Quase todo território do Ceará (exceto faixa litorânea); regiões centro-oeste dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe; grande parte da região centro-oeste da Bahia; sudeste do Piauí.

Vegetação: É denominada por dois tipos de vegetação com características Xerofíticas – algumas plantas perdem as folhas na estação seca e outras possuem estruturas para armazenar água (cactáceas), que compõem uma paisagem cálida.
Espinhosa – com extratos compostos por gramíneas, arbustos e árvores de porte baixo ou médio 
(3 a 7 metros de altura), caducifólios (folhas que caem), com grande quantidade de plantas espinhosas, entremeadas de outras espécies como as cactáceas e as bromeliáceas. 

Clima: Semi-árido, é a irregularidade das chuvas, um ano chove muito, outro pouco e outro não chove nada; ou ainda, a chuva pode vir bem distribuída ou de forma concentrada.

Domínios Cerrado


O Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil, ocupa cerca de dois milhões de quilômetros quadrados, quase 25% do território brasileiro. Estima-se que mais de 40% das espécies de plantas lenhosas e 50% das espécies de abelhas existentes nesse bioma sejam endêmicas.

Localização: e estende por uma vastidão de 2 milhões de km², Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Piauí e Distrito Federal, além de ser encontrado também em trechos de outros sete estados brasileiros, ocupando um quarto do território nacional.

Vegetação: é formado de arbustos e árvores de médio porte, compreende um mosaico de tipos campo limpo, campo sujo, campo cerrado e campo rupestre e as formações florestais características, vereda, mata de galeria, cerradão e mata mesofítica.

Clima: Tropical Típico, alternando estação úmida e seca.
O Cerrado vive atualmente forte descaracterização pela expansão desordenada da fronteira agrícola, que já ocupa cerca de metade da região. Mais do que sua exuberante biodiversidade, a atual devastação põe em risco uma região que é o berço das águas das principais bacias hidrográficas brasileiras, além de base da sobrevivência cultural e material de extrativistas, indígenas, quilombolas e produtores familiares agroextrativistas, que têm no uso dos seus recursos a fonte de sua subsistência e geração de renda.


Domínios Pradarias


Também conhecido por Pampa ou coxilhas.

Localização: situa-se no extremo Sul do Brasil, com predominância da formação dos pampas presentes na área meridional do estado do Rio Grande do Sul.

Vegetação: composta basicamente por gramíneas e herbáceas; relevo de planalto com presença de leves ondulações.

Clima: subtropical, com verões e primaveras chuvosos e inverno e outono secos.  

A atividade pecuária extensiva e as (monoculturas) são as principais atividades econômicas que vem afetando muito esse tipo de vegetação, queimadas criminosas, (o que leva, a partir das queimadas, ao processo de desertificação das pradarias) florestamentos. A partir disso, o solo torna-se pobre e incapaz de regenerar-se, o que acarreta a perda de diversas espécies vegetais e animais. O triste processo de arenização, originado pelo manejo inadequado das terras, e que vem se tornando frequente na região dos Pampas.

Mares de Morros

Formada por um revelo muito antigo, que é resultante da formação de dobramentos cristalinos da Era Pré-Cambriana, esse relevo sofreu intensa ação erosiva desgastada pelos agentes exógenos ou externos ao longo dos milhões de anos, o que contribuiu para a formação de morros com vertentes arredondadas, chamadas de morros em meia laranja.

Localização: os mares de morros estão localizados na faixa litorânea, abrangendo as regiões nordeste, sudeste e sul do país, quase todo território do estado de São Paulo (exceto áreas ao norte e sul); noroeste e faixa litorânea do Paraná; áreas litorâneas dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul; faixa leste de Minas Gerais, todo território do Rio de Janeiro e Espírito Santo; faixa litorânea da região Nordeste. Fazem parte dos mares de morro: a Serra do Mar, Serra da Mantiqueira, Serra de Diamantina, Serra do Espinhaço (ou Serra Geral), Serra da Canastra, Serra do Caparaó, dentre outros.

Vegetação: Floresta Tropical Úmida ou Mata Atlântica, os mares de morros também são formados por áreas de restingas e mangues, encontramos espécies de folhas largas (latifoliada), espécies de mata original como: pau-brasil, jacarandá, jequitibá, cedro.

Clima: Clima tropical úmido, as chuvas concentram-se no outono e inverno. Na região Sudeste, devido a maiores altitudes, o clima é tropical de altitude com chuvas deverão, no inverno as temperaturas são mais baixas devido a altitude. No litoral a pluviosidade é elevadíssima, relevo com presença de serras (exemplos: Serra do Mar, Mantiqueira e Espinhaço); solo que sofre com a erosão provocada pelo alto índice pluviométrico (chuvas); grande parte deste domínio está ocupada por vegetação da Mata Atlântica.


Faixas de Transição


Faixas de transição são unidades paisagísticas nas quais se mesclam características dos domínios vizinhos, ou, ainda, áreas onde a instabilidade das condições ecológicas deu origem a uma interação entre elementos naturais que nada têm a ver comas características dos domínios circundantes. São áreas intermediárias entre as regiões naturais, muitas vezes agrupam características de dois ou mais domínios morfoclimáticos. Nessas faixas são encontradas características de dois ou mais domínios morfoclimáticos. Algumas conhecidas são o Pantanal, o Agreste e os Cocais.

Pantanal
Localizado no sudoeste de Mato Grosso e oeste de Mato Grosso do Sul, estando presente também no Paraguai e na Bolívia, o Pantanal é considerado uma das maiores planícies inundáveis do planeta. Apresenta grande biodiversidade: mais de 3.500 espécies de plantas, cerca 650 espécies de aves, 262 espécies de peixe, 1.100 espécies de borboletas. Entre os representantes da fauna estão: jacaré, veado, serpentes, capivara, papagaio, tucano, tuiuiú, onça, macaco, entre outros.

Agreste
Paisagem de transição entre a Zona da Mata nordestina e o Sertão. Essa área apresenta um clima não tão seco quanto no Sertão e nem tão úmido quanto o da Zonada Mata. A vegetação assemelha-se, em algumas áreas, à mata Atlântica; em outros, à Caatinga. A presença de matas, palmeiras, cactáceas e gramíneas é constante. O planalto da Borborema, com terrenos antigos, é a forma de relevo predominante. O Agreste abrange 3% da área total do Nordeste.  No início do Brasil Colônia, o Agreste serviu de refúgio para escravos e índios foragidos do litoral (atividade canavieira). Mais tarde, desenvolveram-se na região a pecuária, o algodão (XVIII) e o café (XIX). Atualmente, o Agreste é caracterizado por pequenas propriedades com policultura. 

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